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  17/07/2008
"RABISCOS ALEATÓRIOS"
Por Guca Domenico / Língua de Trapo


A beleza é saber que você está lendo, agora, sem pensar em outra coisa que não seja nesse diálogo. Obrigado por sua atenção. Para você ficar, toco violino, danço, faço acrobacias numa perna só, engulo adjetivos. Você me importa. Já aviso que vez em quando darei uma saída, mas volto logo. Sei que você está esperando enquanto vai lendo isso.



Você me solta as amarras. Confesso coisas que nem tenho coragem de pensar em voz baixa. Você fala do que escrevo para outro, não é fofoca, você me divulga. Você, eu e eles somos elos da palavra prolongada. Alguém me diz coisa que faz sentido, logo publico, torno pública.



Você me inspira. Gosto de pensar no que quero dizer, no que preciso dizer, e gosto de escrever para você. E o seu sorriso, se vier com papel e caneta, anotando cada detalhe, filmando a vida, será bom. Penso, tenho sonhos, sinto devaneios, sou instigado a me declarar.
Para você faço gracejos, e por você mando recado. Servimos um para o outro, gosto até quando você me explora, me usa em trabalho de escola, recorta o que digo, cola no papel de carta, manda para quem ama.



Estamos sempre começando na vida, cada novo encontro é um momento de solidão acompanhada: o escritor e quem lê. Juntamo-nos numa matéria que nome não tem e nos tornamos cúmplices, talvez queridos.



Olho para as letras dessa máquina, seleciono com critério e bastante rigor, cada uma quer dizer algo, significa muito mais do que o rabisco aleatório que todos concordamos em chamar letra; todas juntas numa só palavra, em cadeia, frase, e a escrita é como se fosse um rio, tem margem -o estorvo são as quedas da pontuação e os afluentes que são tão parágrafos!



Nem posso supor que tudo isto um dia nos deixe sem elo e vá para o lixo embrulhar coisa em loja de ferragem, ou caia em mãos indevidas, ciumentas. Oh, não me rasgue! Por caridade, doe isto para a biblioteca do povo.



Nossa conversa não se atrapalha, é um de cada vez: eu escrevo, você lê, eu penso, você me entende, eu desvio, você se surpreende, eu arrumo uma palavra bem antiga guardada na caixa-dicionário para fazer você se distrair e me deixar com tempo de lamber versos e envelopar a poesia.



No final é um ponto. Mas existem novas edições.



* Guca Domenico – Músico e escritor, um dos fundadores do Língua de Trapo, é poeta quase sempre e gozado quase nunca, mas gosta de brincar com idéias e palavras. Só não chegou lá ainda porque não sabe onde quer ir, mas caminha a passos largos. Ouça algumas canções de seu mais recente trabalho em www.myspace.com/gucadomenico.




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Guca,
Não sabia que você também escreve aqui.
Sou fã do Lingua, mas vim aqui por acaso.
um abraço


Marco Antonio





Muito bom. Espero o próximo.
Pra quando? abç
Gil M.H.


Gil





Voce não precisa de acrobacias para seus leitores, ouvintes, público. Quando vc "chegar lá", certamente estaremos juntos. Grande artista! Belo texto. Combina muito o estilo do Língua com o blog da Marina. Volte logo

hico





guca,
fã do língua desde pitchitchitchin, posso dizer que conheço quase a integralidade da sua obra musical com eles. Agora, conheço o Guca colunista, em espaço pro qual fomos convidados pela competentíssima Marina Emi. E por falar em convite, fica meu convite pra ficarmos "amigos" de my space (myspace.com/olavodada) - ainda tô tentando montar a página....
VIVA GUCA! VIVA O LdT!


olavo dáda musicarolina@gmail.com





lendo assim parece até fácil fazer poesia, ainda mais de algo que a gente convive e nunca presta atenção

joão





 

... 42 anos de mau humor
e completo desconhecimento
teórico-prático em futebol.
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.



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