No leilão de usados do futebol, o jogador “melhor do mundo e virgem”, hoje é considerado o produto mais caro do esporte. Uso a palavra “produto”, por que compra e venda de gente é ilegal, caiu ou deveria ter caído em desuso há muito tempo. Mas disfarçando bem, até que dá pra tapear, por baixo da peneira esfuracada, sempre cabe mais um artigo, um parágrafo, uma regra. Papel e caneta aceitam tudo.
Até esses dias, diziam compra e venda do “passe do jogador”, já me corrigiram, não se fala mais “passe”, são “direitos federativos” e “direitos econômicos”. A estratégia agora é confundir. Eu que sou um gênio, até agora não entendi. Nem mesmo alguns profissionais da área sabem usar corretamente o termo “direito federativo”, que não substitui o “passe”, mas também não muda muito a situação. Passe, segundo os espíritas, é algo que se recebe de graça, no futebol nada é “di grátis”, diriam eles, no próprio dialeto.
Enfim, trocaram algumas palavras, mas o conceito é basicamente o mesmo, o jogador é comprado e vendido, e para disfarçar o mercantilismo, inventaram qualquer coisa pra embaralhar as idéias das pessoas desprovidas de grande quantidade de células neurais, como eu.
E qual foi a vantagem pro jogador? Ele terá o direito de sair do emprego e trabalhar em outro clube. Fui clara?
“Ué...” diriam vocês, “mas não era assim?? Não deveria ter sido sempre assim?”.
Não, não era assim, antes, eles só poderiam partir para outro clube - e pasmem, mesmo tendo cumprido o contrato até o final - se o time de onde está saindo lhe desse um tal de “atestado liberatório” ou carta de alforria, dá na mesma. Mas agora, “seus problemas acabaram! Com o novo MegaPowerPlusLiberators Direitos Federativos”, o jogador pode escolher quem será o seu próximo dono ou senhorio, desculpem, qual será seu próximo clube. Não é muita evolução? Quanta liberdade! O Direito Federativo e o Direito Econômico, são frutos do grande desenvolvimento social e trabalhista trazido pelo futebol neste século.
Gostaria de alertar para não acreditarem em tudo que lêem, principalmente aqui. Isso tudo foi o que eu entendi da confusão, não significa que esteja certo, errado ou muito pelo contrário, e não impede que você leitor, possa ter a sua própria interpretação, já que as regras do futebol são bastante flexíveis.
Não é estarrecedor saber que eles não podiam sair do emprego? Atualmente, depois do advento da máquina a vapor, depois que o homem foi pra lua, depois da nanotecnologia, enfim, depois que a Princesa Izabel assinou a papelada; o pessoal do futebol, trouxe essa inovação ao vínculo trabalhista, o Direito Federativo e o Direito Econômico. O Direito Econômico, é um paradoxo, funciona assim: eles são tão legais e bonzinhos que dão o direito ao jogador, de comprar a si próprio, ele pode comprar uma fatia dele mesmo. E o mais incrível, ele está dentro dele mesmo, mas não consegue chegar antes e comprar mais que os outros, ficando só com 10, 20, 30% dele mesmo. Tá bom, eu sei que parece injusto, mas quem falou que a vida é justa?
Vamos fazer uma analogia, dar exemplos práticos para facilitar a vida do leitor tão esperto quanto eu:
Eles ficam amarrados ao tronco (Direito federativo), mas é um tronco de ouro cravejado de diamantes, isso os deixa muito felizes e satisfeitos, podem até andar de carro chique, mas tem uma cordinha amarrando o automóvel ao tronco que é pro jogador não sair da redondeza e querer ir pra China, por exemplo, como já aconteceu. O tamanho da cordinha varia de acordo com o valor do “Direito Econômico” de cada jogador. A diferença, é que agora, quando acaba o contrato, o ex-patrão dá a chave do cadeado na mão do jogador (o que não ocorria antes), e o jogador inteligente, corre e amarra a si próprio em outro tronco mais bonito e mais chique, e fecha com chave de ouro - com o perdão do trocadilho infame - assim, entrega a chave (Direito Federativo) pro novo dono ou clube, como queiram interpretar esta bonita relação.
Agora releiam o texto com calma, caso não entendam, posso desenhar no próximo.
(leia “O Futebol Vende” no www.fanaticosporfutebol.com)