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  14/06/2012
CHE* y el FÚTBOL

Futebol e Che estão para popularidade assim como o arroz está para festa e vice-versa. Se o tema futebol já está saturado, imagine misturar com Ernesto Che Guevara? Embora não guardem qualquer semelhança nos princípios e ideais, Che deu lá suas caneladas e dizem que a asma o obrigou a ser goleiro. E para não perder o costume de ser perfeito em tudo, Che foi bom também nos esportes e como goleiro não teria cometido mão-de-alfacices (o antigo “frango”). Com essa incrível introdução, forçarei a barra e traçarei um paralelo entre Ernestito e su pelota na saúde e na doença, na alegria e na tristeza.

Che, esse atrevido, além de político, escritor, médico e verdadeiro, legítimo, fidedigno, autêntico revolucionário, também foi (citarei o resto, só pra humilhar vocês), jogador de rúgbi, xadrez, tênis, golfe, basquete, beisebol, praticou hipismo, natação, pesca, tiro, alpinismo, remo, salto com vara (sendo que, em alguns desses esportes, foi atleta profissional) e de quebra, foi jornalista esportivo (acho esquisito dizer “jornalista esportivo” numa mão o microfone, na outra, uma bola - competindo e entrevistando ao mesmo tempo. É como “jantar dançante” quem dança afinal, o jantar ou as pessoas?), nos Jogos Pan-americanos do México em 1955.

Bem, mesmo com tudo isso, ~ele escolheu morrer por nós~ (oi? ãh? parece que eu já ouvi essa frase em algum lugar... é que basta escrever a palavra “México” e começa o meu dramalhão, mas a culpa não é minha, Che é que parece lenda, chego quase a duvidar que ele tenha existido). Che nos causa sentimentos dramáticos, esquisitos e variados: admiração, impotência, tesão (eu nem sei o que é isso, sou uma pessoa "de família", mas ouvi falar que muita gente sente isso por ele), e a vontade de parar de ler sobre seu caráter e sua história, por pura vergonha de sermos tão cagões.

Parando um pouco com o sensacionalismo em torno do ícone, vamos retomar o assunto: o futebol. Embora os fanáticos digam que é um esporte democrático, eu, pra variar, discordo, por que todo ser vivo sabe que no futebol como no capitalismo, o que está em jogo não são as pessoas. As oportunidades não são as mesmas para todos em nenhum momento, por exemplo, o time inteiro treina (ou deveria), mas só um craque (nem sempre tão craque assim), leva a fama, os louros e principalmente a bufunfa, por que o esporte ainda carrega o ranço imperialista, o povo colonizado adora Reis e Rainhas disso e daquilo, coisa aliás, totalmente anticheguevarianas. Notem que as diferenças entre Che e futebol começam por aí. Bem, e também terminam por aí. As semelhanças estou procurando até agora.

Restaram poucas coisas para justificar o tema que escolhi e uma delas é apontar os grandes defeitos de Che: ter gostado de futebol e talvez, alguma unha encravada. Só consegui levantar esses dois defeitos imperdoáveis, por que esse abusado, ainda por cima, nasceu bonito, o que foi um erro absurdo e desproporcional da natureza, pois esse exagerado não precisava até de beleza. Tanta gente burra, idiota e “desabonitada” por aí, precisando de um pouco de formosura, e a natureza comete um papelão desses colocando todas as qualidades numa pessoa só. Mas talvez vocês desconheçam o pior, Che usou o futebol até mesmo para se aproximar de pessoas com segundas e terceiras intenções, como por exemplo, ajudar a libertar algum país do imperialismo, etc e talz.

Che era fã do ponta esquerda Enrique “El Chueco” Garcia (o poeta da canhota). Não pude nascer antes pra perguntar se a admiração vinha apenas da posição “esquerda” do jogador ou por que o jogador era seu conterrâneo ou por que era um craque mesmo. E vejam só que disparate, Che torcia para o Rosário Central, time da sua cidade natal, no qual “El Chueco” também jogou, e quando lhe perguntavam de onde era, Che dizia 'De Rosario, de Rosario Central. Yo soy rosarino', ou seja, seria o caso de questioná-lo pela traição dos princípios, já que querer que seu time e ídolo se dêem bem por serem da sua cidade natal, chega a ser um bairrismo disfarçado (coisa que o futebol permite, mas eu tô aqui pra contrariar)... tsc, tsc, sabia que a qualquer momento, esse comunista cairia em contradição. O que me leva a desconfiar que a famosa frase “Hasta la victoria siempre” tenha sido dita pelo Che-boleiro em alguma pelada de várzea qualquer e depois requentada para fins revolucionários.

Não queria continuar falando tantas verdades duras, mas torcer para um time também deveria ser algo totalmente fora de cogitação para um ateu, desprovido de soberba, que não deveria ter a pretensão, nem a necessidade autoafirmativa de querer seu time campeão para humilhar os torcedores rivais. Sinceramente, Che, isso é de um egoísmo sem limite. E torcer, demonstra de cara a crença em poderes sobrenaturais, que seus palavrões e urrus neandertais, assim como usar a velha cueca da sorte e se contorcer no sofá a cada lance, farão a grande diferença no resultado do jogo. Significa enfim, uma contradição descarada, pois torcer a favor do seu time e pinchá mardição no time rival, é se achar poderoso demais, até mesmo para mudar o destino de um campeonato. Che, meu querido, mudar o destino das pessoas com atitude, com a força do pensamento socialista e até morrendo, é fácil, é simples, mamão-com-açúcar, “uma teta”, diriam os refinados torcedores neandertais, mas achar que pode mudar o resultado de jogo com a força do pensamento de um reles torcedor, já é demais. Fosse hoje, Che não estaria habilitado a torcedor-profissional, por possuir no currículo experiência comprovada apenas em mudanças de Sistemas de Governo e não mudanças em placar no futebol, não teria chances numa torcida organizada.

Como torcedor, podemos dizer que foi um fiasco, mas tenho que admitir que, como goleiro, no Independiente Sporting de Letícia (Colômbia), ao defender um pênalti na final de um torneio, Che escreveu sua melhor frase no esporte, "hoje, a minha defesa ficará para sempre na história de Letícia”. Mal sabia ele que... , bem, o resto é História.

E por isso, yo Marina encontré un equipo de fútbol de la cual me convertí en fan. No soy rosarina de niña pequeña, como pensé que lo haría cuando empecé a escribir este texto, ahora yo soy cheguevarina de ~criancita~, hincha del CLUB ATLÉTICO, SOCIAL Y DEPORTIVO ERNESTO CHE GUEVARA – equipo del fútbol de la ciudad de Jesús María–Argentina.

*Che nasceu em 14/06/1928, hoje completaria 84anos.

Clubernesto no facebook
facebookclubernesto

Belas imagens de Che aqui:
Ernestito-che




Comentários
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Eu li para você parar de me chamar de traira,mas como você soltou este texto,muito bom aliás,muito tarde,serei breve no comentário .
Che foi o PELÉ das revoluções!!!
Parabéns!!!
Beeeijo


Hiro
Eduhm@yahoo.com.br

Marina responde
Seu comentário estava lindo, mas aí vc falou de Pelé.
Vai passar, mas só dessa vez. hahahah
beeeijo




Che lutou pela Libertadores :)

Gerson Carneiro


Marina responde
JERÇÃO!
hahaha, verdade, levou a taça embora, por isso o curintia não viu a taça até hj
beeijo




Belo texto sobre Che.

Independente da opinião daqueles que amam ou odeiam Che, nenhum dos lados pode negar a contribuição dele na história. Para os que no presente julgam Che deveriam entender o passado antes de tudo.


@WLuizCarvalho
washington.luiz@gmail.com

Marina responde
Cumpadi Uóxito!
bem, eu AMO o Che só pela beleza EXTERIOR hahahahahaha, o resto vem no pacote.
Difícil escrever sobre gente assim, pq tudo TUDO que ele devia fazer ele fez e fez bem feito. Só não perdoo por ter morrido sem ME conhecer, ele não sabe o que perdeu tsc tsc
beeeijo




Minha querida.
Foi com grande alegria que recebi seu retorno e aviso: vc está proibida de nos privar de seus textos que nos fazem rir e nos emocionam. Falar de CHE é muito importante. Mas falar da maneira como vc falou é demais .
Quando eu acabei de ler já fui até a estante procurar o livro sôbre tão discutida figura e vou começar a releitura imediatamente
Viu seu Blog, além de tudo , é um incentivador da leitura .
Um abraço e não desapareça, caso contrário perderá sua maior fã.


Linacir


Marina responde
muito obrigada

uma pena mesmo que a sra tenha saído do facebook, o pessoal do Club Social y Deportivo Ernesto Che Guevara compartilhou meu texto lá. Fiquei muito feliz com isso. um abraço




Eu estava diante de uma banca de revista, daquelas que dava tesão de ler tudo, repleta de jornais que já se foram: Correio da Manhã, Diário de Notícias, Última Hora...E lá estava no O SOL a manchete do assassinato de CHE. Chorei. Só isso. Hoje você disse que talvez ele não tivesse nascido. Sem comentários.

rik


Marina responde
Oi? Não entendi.

ou vc não entendeu.





E, convenhamos, torcer para um time chamado Rosario não é nada abonador para um ateu confesso como Che.

Um beijo histórico-político-agnóstico, minha querida Marina.

Eliane


Eliane


Marina responde
Eliane
é verdade
um beeijo




 

... 42 anos de mau humor
e completo desconhecimento
teórico-prático em futebol.
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.



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