| 17/03/2012 O SOBRINHO Reprodução de PARTE de um texto que escrevi há meses:
..."E finalmente, o famoso sobrinho que, além de sobrinho é também piloto. Nem eu, nem você - e não adianta negar -, nem o Papa, nem a minha vó, nem o tio dele, enxergamos o rapaz de outro jeito, ele é "eterno sobrinho", e eu nem preciso citar o nome da vítima. Calma, dessa vez não temos culpa, a comparação entre tio e sobrinho não é obra de nossa autoria. Ah, e antes que eu me esqueça, já vou avisando, não vou discutir se o rapaz é motorista ou piloto para ter chegado onde chegou, ainda que seja bom (sei lá se é, não entendo nem de futebol, muito menos de F1), é óbvio que encontrou as portas dos carros e dos patrocinadores sempre escancaradas. Chega a ser concorrência desleal, competir com tal sobrenome na busca de patrocínio. Mas infelizmente (ou felizmente) dinheiro ainda não compra personalidade. Ele é “o sobrinho do” e talvez nunca consiga se livrar disso. Vou explicar por que não temos culpa no cartório, literalmente. E lá vem outra teoria mirabolante: logo que o menino nasceu, a sua mãe e seu pai – que não devia mandar nem na cueca que vestia – devem ter colocado a carapuça de “sobrinho” no menino. E ele, tadinho, até hoje não sabe que pode tirar. Nós, pais sempre queremos facilitar a vida dos nossos filhinhos (e é bem nessa parte da história que erramos feio!). Assim, estes pais, pensando em deixar meio caminho andado para o filho, escolheram o sobrenome “artístico” e não o do pai, para apresentá-lo ao mundo. O sobrenome do pai ficou lá, "sem utilidade" (Não vou entrar em detalhes psicanalíticos, por que o texto não merece esse glamour. Pronto, estava traçado o destino. Pensando na carreira do menino, esqueceram do menino, enfraqueceram o pai e o menino. Não imaginavam um possível efeito rebote. Aquilo que poderia ser seu aliado, o sobrenome, tornou-se seu maior rival. Mesmo ganhando uma corridinha ou outra, está fadado ao segundo lugar, no inconsciente coletivo (e no do sobrinho) o primeiro lugar já tem dono. Em tempo (ou não): pais e mães, não coloquem nos seus filhos as suas expectativas exageradas, o peso impede o crescimento. Não comecem de fora pra dentro, enfeitando demais o pavão. Difícil, mas quem sabe o rapaz descubra que não precisa provar nada pra ninguém, quem sabe perceba que carrega o ego dos pais (vai ver, é isso que deixa seu carro pesado) nas costas, quem sabe consiga sair da sombra do sobrenome e escolha seu próprio caminho ou outra pista. Em nome do pai, do filho e do espírito de Freud, amém. *Ego – Na qualidade de charlatã e ignorante, usei o termo psicanalítico da pior forma possível. Não acreditem em nada do que leram. Freud revira na tumba. Comentários |
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