| 06/12/2011 “SÓCRATE” “Mãe, devia ser ‘SÓCRATE’, por que ele é um só” - Singular né, filho? E ele é único mesmo.
E foi assim que ao receber a notícia, ainda tentando disfarçar o meu choro melodramático, alguém chegou ao meu lado de mansinho e, olhando para a imagem do tal “Sócrate” na tela, concluiu numa só frase ingenuamente verdadeira, o que eu vou escrever nuns 10 mil caracteres. E do mesmo modo que entrou, saiu do ambiente, sem qualquer sinal de catastrofismo pelo acontecido, nem mesmo pelo meu estado calamitoso, o que cortou meu choro convulsivo e patético e me colocou de volta ao mundo real de reles admiradora de quinta categoria que nem está à altura de poder sofrer como podem os corinthianos - que profissionalizaram o sentimento, saber sofrer é um requisito para ser corinthiano, sabem viver, sabem morrer e sabem fazer sofrer. Assim, comecei o longo exercício de escrever e apagar milhões de vezes aquelas linhas trágicas escritas no calor das emoções. Verdadeiras, porém mexicanas. Aqueles que continuarem lendo, notarão que eu desisti de apagar, preparem-se para o “carrossel de emoções”, diria Silvio Santos. A mídia fez o seu trabalho ao dar o tom teatral de sempre, mas o fato é que Sócrates, ou melhor, Sócrate, o cara singular, autêntico, questionador, humilde e carismático, seduz e contamina até os anticorinthianos causando-lhes sentimentos contraditórios inconfessáveis para qualquer torcedor adversário. E aos corinthianos, deixou uma situação corinthianamente sofrida de perder e ganhar ao mesmo tempo. Tudo isso, num só capítulo. Idiossincrático até pra morrer. Todo mundo morre de morte morrida ou morte matada, só ele de morte corinthiana, e esta não é para amadores. A mandinga corinthiana é tão forte que induz até os mais céticos a acreditarem que o Brasileiro estava ~predestinado~ ao gran finale. Morrer no mesmo dia da conquista do título do Campeonato Brasileiro... “Brasileiro”!?? Coincidência, destino, energia cósmica? Mas ao Magrão – todo fã (eu) se acha íntimo do ídolo para chamá-lo pelo apelido de familia – não restou o poder de se defender da espetacularização do seu derradeiro “causo”, ufanismo não combina com quem é desprovido de vaidades. E pessoas (como eu), que nunca se interessaram pelo futebol, aproveitam o momento para escrever dos sentimentos que ninguém precisa saber. Que coisa feia. Desculpem se ainda não me livrei do estilo sentimentalóide como o do texto “Sócrates, o corinthiano doente”, mas não há como escapar de um enredo a la @JornalismoWando, quando se trata de sofrimento corinthiano. E assim, passei o resto da amanhã aos prantos e, por não ter o direito de sofrer corinthianamente, muito menos por alguém com quem não tinha intimidade, escolhi chorar egoisticamente pelos meus filhos que perdem por viver num mundo cada vez mais idiota, sem substitutos à altura dos que estão indo. Depois reagi com o mais dramático pensamento infantil (aqueles momentos em que não temos outra saída senão querer voltar pro colo da mãe que sempre resolvia tudo), como se ele pudesse ouvir post-morten, conversei sozinha: Sócrate, eu nem sou corinthiana e por que você está fazendo isso comigo? Não precisava ir conversar pessoalmente com São Jorge antes jogo, você mesmo diz que ganhar não traz aprendizado algum. Hoje, você aumentou a torcida e diminuiu o anticorinthianismo, mas a nação corinthiana preferia você. Se eu soubesse que você não ia dar conta, eu teria começado a crer em Deus, patuá, mandinga, Buda e Iemanjá. E aquilo que eu disse (no outro texto) que não faria, eu faria sim, iria até Aparecida do Norte pagando mico com a bandeira nas costas, vestiria até a cueca que da sorte, aquelas que vocês nem lavam pra usar nas finais - e acham que dá certo. Sócrate, seu feio, volta aqui, você não pode ir embora assim, você ainda não terminou o que você começou a fazer, você ainda ia morar em Cuba, e esses meninos, jogadores de hoje, quem vai mostrar que não se deve ficar em cima do muro e que é possível viver sem ostentação e presunção? Ainda resta alguém no futebol? A nação corinthiana continua, mas o Corínthians que sintonizava com o seu jeito contestador, não é mais o mesmo, nenhum time é, nenhum jogador, nenhum dirigente, nem a chuteira, nem a bola e até gramado mudou. Sócrate, foi por tão pouco, e agora a minha promessa segue sem destino, quem dera eu acreditasse em coisinhas fofas e invisíveis, aí eu teria a obrigação de ficar feliz, pois você estaria no céu com todos aqueles que já perdemos. Ah, como seria bom. E Sócrate, naquele meu sonho, você ainda ia conhecer meus filhos, você ainda ia num jogo comigo, você ainda ia me dar um abraço e eu ainda ia ser corinthiana. Tá, agora chega, já deu de lero-lero cheio de sentimentalismos baratos sem sangue corinthiano. Sócrate não gosta dessas frescuras, assim como não faz seu tipo querer estádio com seu nome; concordo, mas só um estádio teria grandeza quase proporcional à sua. Então, não tem que achar ruim não, homenagem a gente não escolhe, aceita. Comentários Isso aí d.Marina homenagem a gente não escolhe, aceita Portanto, aceite minhas homenagens a vóismicê ;) P.S.: Ói, q meus zóius inté verteram grossas gotas d suór másculo ao ler essa sua homenagem ao Doutor. Marko sitiom@yahoo.com Marina responde Oi Marko "gotas de suor másculo" HAHAHAHAHAHAHA bregada beeeijo Bom dia Marina... Tudo bom? Confesso que adoro atormentar sua vida no Twitter... de olho em algo que você venha a escrever para te tornar vitima de minha eterna jocosidade... Alias ninguém sai ileso, nem eu. Mas, hoje passaras incólume, intocável pelo meu humor cínico, seco, ácido... Tudo por conta do texto que escreveste, desde domingo venho lendo quase tudo sobre a morte do Doutô, confesso já estar de saco cheio, 60% é control+c e contrl+v. Lendo seu texto cheguei em uma sórdida conclusão, tu possui o pé no Corinthians, sabe como poucos descrever o que é ser Corinthiano: "...sofrer como podem os corinthianos - que profissionalizaram o sentimento, saber sofrer é um requisito para ser corinthiano..." O texto? elogiar ele será Redundância. ileniel ileniel@hotmail.com Marina responde Meu caro, sempre muito bom conviver com vc na vida paralela tuítica. Tb gosto de mexer, como dizem "trollar" todo mundo. Muito obrigada pelo comentário tão carinhoso. beeijo obs: não tenho o pé no Corinthians, tenho meus filhos, marido, cachorro,passarinho curintianos. Já desistiram de tenar me fazer vestir a camisa. coisa difícil de conseguir. A verdade é que não tenho palavras para descrever o que senti ao ler este maravilhoso texto. Você é boa no que escreve, e sabe disso. Tenho certeza de que o Doutô ficaria emocionado ao ler esta obra, pena que não será possível, mas certamente ele estará guiando à todos os verdadeiros corinthianos, não aqueles que dizem que torce, mas aqueles que sentem a dor, a alegria, todas aquelas emoções que não é possível fingir,assim como você. Você pode não ser uma torcedora nata, mas você sente e escreve, e isso, ninguém faz melhor. Kawany Marina responde Oi Cauanen hahah muito obrigada, lindas palavras as suas, seu incentivo. e vc tb sabe transmitir o que sente de um jeiro muito espcial. beeijo Querida Marina, Só você para me fazer chorar mais uma vez a perda do magrão!! Até quem não é Corinthiana fanática como eu irá sentir a falta de um atleta que não falva "é nóis vamu entra prá ganhermos!! mas futebol é uma caixinha de supresa"...rsrs. Saudades da inteligência e do bom jogador que o magrão foi!! SAUDADES ETERNAS DOUTOR!! :( Fransil Stahl silcoccinelli@yahoo.com.br Marina responde Franssss tudo bem? que bom que veio aqui. e os corinthianos aí, conseguir curtir o título? como vaõ? beeeijo Cada vez que leio algum texto do Sócrates me emociono mais. Mas este foi além, este mostra aquilo que todo mundo sentiu, o sofrimento da despedida, e digo mais, o profissionalismo corinthiano para sofrer não foi suficiente, pq me lembro na hora do jogo, antes de começar, com os jogadores no círculo central, de punhos cerrados e erguidos, e aquele medo, ali, olhando a tv, o medo do jogo, do resultado, e mais ainda, aquele sentimento de " e agora?", como se estivéssemos sozinhos, como se perdêssemos nosso cara que dava cobertura, mas na verdade, ele nos ensinou a jogar como guerreiros, e enfrentar tudo e todos, e o Corinthians é Corinthians por ele, e muitos outros que só viveram neste time. Imensas tristezas Sócrates, mas a vida é assim, quisera eu poder crer no depois, e aguardar o abraço daqueles que que já foram, pq o seu, eu esperava que teria ainda. Dom edomxx@hotmail.com Marina responde Oi Dom, pois é, mas eu nem ouso comparar meu sofrimento aos de quem acompanhou a carreira dele. Dessa vez, o título teve um sabor estranho. Eu vi um exemplo. Uma alegria-triste. beeeijo |
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