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  01/12/2011
SÓCRATES, O CORINTHIANO DOENTE

OBS:o blog foi invadido e alguns textos e comentários de leitores foram excluídos, portanto, o texto abaixo é de 25/08/2011. Este mesmo texto tb está no site Terceiro Tempo do Milton Neves.


Ninguém precisa vir até aqui pra ler elogios óbvios ao Sócrates Brasileiro, nem à sua habilidade com a bola, nem à sua simpatia, nem à sua postura diferente dos demais ídolos brasileiros carolas. O Brasileiro sempre se posicionou politicamente sem medo de perder patrocínios. Já vou avisar que estou dourando a pílula para fazer um mimo no menino que agora está literalmente doente, mas vou poupá-los dos meus ricos comentários a respeito do carro-chefe dos passes, o de calcanhar e pular direto pro dramalhão mexicano.

Não é preciso conhecê-lo pessoalmente para ir com a cara desse sujeito. Até hoje, não vi quem falasse mal, até porque, se falar, “messeu com o Sócrates, messeu comigo!”. Tem gente que já nasce feito e pra ajudar, ao invés de jogar tudo pela janela, aproveita, aprimora e faz bom uso. Fico imaginando o pai dele “causando” na vizinhança, filho médico e jogador de futebol – jogador de verdade, não esses “craques” cabeça-de-pau de hoje, mas O Sócrates Brasileiro, brasileiramente lindo, uma “linda mente brasileira”. E você aí, que tem filho perna-de-pau, a vida é assim mesmo, injusta. Não se sinta sozinho, aqui em casa também teremos que apostar em grupos de pagode, duplas sertanejas (dá pra montar umas três duplas) e por fim, se não tiver jeito mesmo, nos estudos. Vamos jogar na sena?

Meu pai que sempre foi um “atimado”, um sem-time, pelo menos nunca assumiu nenhum clube do coração - talvez por que nunca tivesse tido tempo pra essas “bobagens”, pois sempre levou a vida a sério demais – pouco falava conosco de futebol, mas dos jogadores, o único que lhe saia da boca com sorriso, era o “Dotô”, e eu nem sabia que esse tal de Sócrates era médico, muito menos que era do Corínthians. E volta e meia eu ouvia meu pai, homem de pouquíssimas palavras, dizendo “Esse Dotô!” com um certo contentamento fora do habitual. Nessa época, a vida pro meu pai não estava para risos, anos amargos pós-geada negra numa bancarrota nada blues que ecoou até o fim e na sua ida pro lado de lá. E aquela satisfação de ver meu pai apreciar com gosto as jogadas do Dotô me dava uma sensação boa, que me fazia querer jogos com esse tal de Dotô pra sempre. Mais tarde, bem mais tarde fui concluir que meu pai talvez, por influência do Dotô, fosse um corinthiano não-assumido. E por isso, até eu que não sou corinthiana, que nunca falo bem de futebol, digo por conhecimento de causa que não é preciso nem conhecer o sujeito, nem saber se era o irmão-bonito ou o irmão-feio da família socrática (naquela época - como o Sócrates define - o irmão-bonito, o Raí, nem era jogador profissional) para que eu fosse com a cara do Dotô.

Depois veio meu marido corinthiano doente e explicitamente apaixonado pelo Sócrates, que sempre teve como objetivo de vida, 1-ver o Corinthians Campeão dos campeões em todos os campeonatos anuais, mensais, semanais e diários deste e dos demais planetas do universo; 2- que seus filhos fossem corinthianos doentes, a qualquer custo - senão por herança genética, por chantagem da pior qualidade e, 3- que eu vista a camisa, embora ele nunca tenha admitido.

E eu que não creio, aprendi nesses anos que, mesmo que você seja da mais pura linhagem de intelectuais ateus ortodoxos, em se tratando de futebol vale tudo: mandinga, reza, cueca da sorte, amuleto, patuá. O que me dá o direito de fazer minha “fezinha” por estar escrevendo de jogador. E assim seja “Eparrei meu Pai”:

Minha promessa é a de que se o Dotô parar com essa frescura sem lógica, pois “Doutor é doutor e paciente é paciente e vice-versa”, diria Vicente Mateus, e for ao jogo no brasileirão do corrente ano - desde que seja comigo, senão não vale! E se demorar pra sarar dessa frescura só para o brasileirão do ano que vem, também não vale – eu juro que
:
1-DEIXO o Sócrates até conhecer meus filhos, sem ônus e,

2-farei a pior das heresias (não, não vou andando e carregando uma cruz nas costas até Aparecida do Norte, nem darei a volta no Parque São Jorge de joelhos, também não é pra tanto, senão o Sócrates vai se achar a última bolacha do pacote), eu viro a casaca, ou melhor eu visto a “casaca” -humildemente conhecido como manto sagrado - pra sempre e ainda pago os ingressos!

Ó, é pegar ou largar! Oportunidade que nunca lhe apareceu em toda sua carreira! Enfim, tô sem time e vendendo meu passe. Preço: acabar com essa frescura (só com a frescura, pode continuar sendo um corinthiano doente) e voltar logo pro Cartão Verde.

Resumindo, o Sócrates Brasileiro faz parte da “minha vida, minha história, meu amor”. Como não amar?



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