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03/02/2010
CARRINHO É ESPORTIVO?
Fui procurar uma definição do tal “carrinho” no futebol para não ser injusta ao comentar o acontecimento no clássico de domingo, entre o alvi-verde e o alvi-negro, sob o céu alvi-anil, sobre o campo alvi-esmeraldino com a bola alvi-auri-negra-rubra.

Eis que encontro de tudo nos sites, blogs, jornais, TV e gibis, menos o significado preciso e científico do que vem a ser um carrinho no futebol, que deveria ser mais ou menos assim:

O “Carrinho” acontece quando o corpo X desloca-se em linha reta até atingir o corpo Y em velocidade oposta VO. O coeficiente do atrito do corpo X com a superfície gramado G, é igual à força F com que o corpo X pode atingir o corpo Y ou o objeto esférico B; resultando na contusão ou não do corpo Y. Cabe ao Ponto estático J fingir que não viu ou avaliar e aplicar o cartão áureo ou rubro.

Eu ansiava encontrar a descrição exata e só usar os meus amigos ctrlC e ctrlV para não me dar o trabalho de elaborar uma, como a do Impedimento (vide texto “Desvendando o Impedimento”), tão impossível de redigir, que nem mesmo a própria regra do futebol contempla uma definição satisfatória. Como já disse, lá só consta o que NÃO é impedimento, o que é impedimento, ficou pra outro dia.

Em compensação encontrei uma ampla classificação de carrinhos, uma frota inteira. Ao discutir a respeito do pequeno-automóvel, o narrador, comentarista, colunista, torcedor, jogador e os demais australopithecus, abrem um leque de possibilidades infinitas de “modelos” de carrinho, querem assinar, personalizar, dar um chassi ao carrinho:

Carrinho na bola, carrinho na canela, carrinho intencional, carrinho não intencional, carrinho desleal, carrinho criminoso, carrinho imprudente, carrinho lateral, carrinho por trás ou carrinho pelas costas, carrinho pela frente, carrinho perdoável, carrinho imperdoável, carrinho de fato, carrinho duvidoso, banir carrinho, proibir carrinho, dar carrinho, perdoar carrinho, abusar do uso de carrinho, carrinho como parte da cultura do futebol.. e se continuasse procurando, mais carrinhos emergiriam das entranhas do futebol.

Na minha concepção especialista e genial, usa carrinho o jogador perna-de-pau, aquele que é “mais grosso que papel de embrulhar prego”, como definiu Oswaldo Pascoal outro dia (não, eu não ouço programa de futebol no rádio, mas sou a minoria absoluta, não tenho poder de decisão dentro do carro). É o tipo do recurso apelativo, de quem não tem mais nada a fazer senão, cravar a chuteira na canela do adversário, na “melhor das intenções” de chutar apenas a bola. Chaves, o sábio já dizia, “foi sem querer querendo”.

Interessante a postura do novo-velho jogador do time alvi-negro supracitado, cometeu a deselegância de entrar de “carrinho” e, ao ser convidado a se retirar do cercadinho com grama, disse inconformado: “Não era pra tanto... o que o juiz não pode fazer, é estragar um clássico dessa maneira, mostrando um cartão vermelho logo no início”.

Ou seja, ele entra de sola, independentemente se acertou bola ou canela, o adversário dá até um salto duplo mortal, independentemente se fingiu ou não; e a culpa é do juiz? O jogador experiente está careca de saber, é estupidez cometer atos que levam a vários tipos de interpretação, mesmo assim o faz, e como se não bastasse, tem a cara de pau de jogar a culpa no juiz?

Não interessa a intenção ou o grande e louvável propósito de “ir na bola”. Ninguém tem bola de cristal pendurada no pescoço pra saber qual dos sentimentos mesquinhos o jogador escolheu para dar o “carrinho”. O problema não está no tipo do carrinho ou banir carrinho. Em acidentes, a culpa é do carro ou do motorista? Tomem a carteira do motorista e não condenem o carrinho a pagar o preço sendo banido pro ferro velho.

O problema está aqui: O jogador finge que foi na bola. O outro finge que cai, finge que doeu. O juiz finge que viu, finge que não viu, finge que adivinha sentimentos e intenções. A torcida finge o que convém. E comentaristas precisam fingir qualquer coisa inteligente.

Se todos parassem de dissimular (nunca), o árbitro não precisaria fazer curso com a Mãe Dinah.

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27/01/2010
UMA BONITA INIMIZADE
Foi difícil, mas descobri o ponto G dos torcedores, o G4, organização “com fins lucrativos”, dos 4 maiores times paulistas, que se uniram “para inglês ver”; querem resgatar a paz nos estádios de futebol - não precisa ser a Mãe Dinah para saber que não vai dar em nada – além de, é claro, desenvolver parceria nos negócios lucrativos, ou vocês acham que o mundo é cor-de-rosa e eles são amiguinhos? Não dariam PontoG sem nó.

Outra questão não citada pela mídia, mas não menos importante, provocada pela união-separatista (com o perdão da contradição) dessa “corporação de elite”, é a exclusão dos demais clubes, o que alimenta a dor-de-cotovelo dos torcedores de “times menores”. Como exemplo, cito o torcedor contumaz e jornalista Flavio Gomes*, que eu imagino, encobre possíveis sentimentos mesquinhos com o manto sagrado do clube do coração. Segundo ele, é a camisa mais bonita do mundo, assinada por uma marca fashion e tudo mais. Concluindo, ou ele é revendedor comissionado das camisas ou está desviando o foco para ninguém prestar atenção nos perna-de-pau do seu time.

Voltando ao ponto G4, se frase popular diz “amigos, amigos, negócios à parte”, resta portanto, fazer negócio com inimigos. Em síntese, o G4, é a confraria dos inimigos, “inimigos, inimigos; negócios unificados” assim, sem qualquer escrúpulo. Ah, como eu admiro essa gente boa do futebol, sempre na vanguarda, mudando paradigmas, provando que é possível existir uma bonita inimizade.

Quer dizer que os 4 bambambans “querem” resgatar a paz - é um contrassenso querer resgatar o que nunca existiu – e já começam pisando na jaca, desconsiderando a opinião dos demais times, a rapa, o resto? Muito democrático e educativo. Igual caixa de banco com atendimento especial, exclusivo, VIP, personalizado apenas para cliente cheio da grana. Se você é um mortal, mas não tem onde cair morto, dançou, você é parte do resto. E nem reclame, suas idéias não são relevantes. Ninguém acha isso anormal e abominável?

Mas, o resgate da paz nos estádios vai ficar pra outra hora, os inimigos que compõem o G4 estão de olho, olho-gordo nos juniores. Portanto, aguardem o fim daquilo que nem começou, haverá briga de foice entre os “Paladinos da Justiça e da Paz” do G4, cada um quer o “seu” guri. Se a concepção é essa, cada um deveria ter direito a um menino, não é uma decisão humanitária, mas quem está preocupado com isso?

Fiz uma gigantesca introdução, o que me faz eliminar muito do meu raciocínio brilhante a respeito do G4, e cair matando no espanto de todos diante da atitude dos juniores, que resolveram usar o direito de ir e vir, querendo ir para outro time, caso o clube não melhore as condições no contrato. Diante da lei, eu nem sei quem está certo, evidente que cada parte terá sua razão, mas a discussão deveria ser outra. Por que o assombro? Que novidade há? Querer ganhar o que merecem ou muito além do que merecem? Romper contrato? Falta de ética? Falta de consideração? Querer levar vantagem? Não vestir a camisa?

A única surpresa, nada agradável ao clubes, é que os meninos descobriram o poder de expressar suas vontades, perceberam que também podem mamar nas tetas do futebol. Ou só o clube, dirigentes e os jogadores do time principal podem participar do programa de aleitamento nas glândulas mamárias do futebol?

Fizeram seus juniores à sua imagem e semelhança e agora estão chocados com a cria? O nome “juniores” já não diz tudo? Cobrinhas são criadas por cobras, é óbvio. Eu não entenderia uma cobra levando um susto ao constatar que o seu ninho está cheio de cobrinhas.

*Flavio Gomes - é jornalista e piloto Classic Cup, trabalha na ESPN e em outros 14 lugares, mas seu sonho, é montar um ferro velho, tem investido no estoque, colecionando carros antigos. Atualmente, luta por uma vaga de estagiário no famoso blog www.mulherefutebol.com. No Twitter, @flaviogomes69 criou, mantém e alimenta a fama de mau, dando respostas neanderthais duras, frias, curtas, grossas, críticas e cruéis aos seus fiéis seguidores, como esta que vos escreve e tenta atingir sua paciência até o dia em que levar um block na cabeça.

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