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03/03/2010
PERFÍDIA
Durante a transmissão de Chelsea e Manchester City, em que atuavam, em times rivais, jogadores envolvidos no escândalo de traição, telespectadores reclamaram dos comentaristas, que deveriam falar de futebol e não de traição amorosa, enfim, aquele velho discurso, “separar o pessoal do profissional”.

Se há uma coisa que eu acho tonta, é dizer “vida pessoal e vida profissional”: não levar problemas profissionais pra casa ou vice-versa. Eu queria saber como é que se faz essa mágica. Só tendo dupla-personalidade Ruth-Raquel. Pra mim, aquele que se diz profissional e não leva problemas do escritório pra casa é o típico funcionário pouco envolvido com a empresa, não “veste a camisa”. E, apontem uma pessoa fria a ponto de não se abalar com os problemas familiares, continuando até o fim do ano com a fotinho na parede da empresa, o “funcionário-padrão”.

Como não falar do escândalo durante a transmissão do jogo, se tudo aconteceu praticamente sobre o gramado? Os envolvidos se conheceram a partir do futebol; o jogador pérfido, além de perder a vergonha, perdeu a faixa de capitão; o jogador infortunado - condenado a usar o enfeite na cabeça pra sempre - talvez não jogue mais na Seleção; as torcidas também se manifestaram, escolhendo mocinho e bandido do drama, como em qualquer reality show. O futebol imita a vida ou o contrário? Eles levaram a sério a rivalidade dentro dos campos e revolveram estender o “bafon” para fora do gramado. Bonito, bonito.

Como fariam os comentaristas? “O jogador perdeu a faixa de capitão por que piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii...”, sem dizer ao público o motivo? Não é uma questão de invadir a privacidade, ao contrário, a privacidade invadiu o gramado. Usufruir da fama tem seu preço, quem quer privacidade total não deve sair de casa, muito menos ser famoso. E o torcedor purista que assista futebol no vídeo-game.

Bem, torcedores deveriam estar acostumados com chifres, sempre são traídos pelo time ou pelo craque que, além de não vestir a camisa, negocia com o rival na calada da noite; guardadas as proporções, é uma infidelidade, não sei se mais leve ou apenas banalizada. Comparação exagerada, é apenas profissionalismo! Todo mundo tem o direito de buscar seu lugar ao sol. Todo mundo quer enriquecer. E pra quê? Pra comprar carrão, apartamentão e pra quê? Para ganhar poder e pra quê? Pra conquistar. Quem? A mulher, ou um parceiro, dependendo do gosto. “Sozinho, um homem não é nada. Nem corno”. Sem dúvida, somos o que há de mais importante no planeta, quiçá no universo.

E o que resta ao desditoso jogador, depois do leite derramado, é apenas saber reagir ao chifre – e ele não soube, diga-se. Como? Assumir, fingir-se de morto, pular do prédio (lembra aquela bonita frase “você ganhou um par de chifres e não de asas”), morrer, matar, nunca mais sair de casa, tomar baygon, dar o troco, ou passar por cima de tudo, mantendo ou não o relacionamento com o ser ignóbil e fazer a linha corno-manso.

Embora a macheza dos leitores não admita, a última alternativa é a mais sensata. O corno-manso, é o ser mais bem-resolvido da face da terra, é superior, não se abala, sequer muda a expressão, não muda nada em sua vida em função do erro alheio. Não responde à situação como se fosse culpado, “pegando o boné” morrendo de vergonha. Ou pior, fazendo escândalo e se vingando como quem pudesse exigir comportamento e personalidade - que ele idealizava - dos dois seres ignóbeis, mulher e o “muy amigo”.

Se eu fosse conselheira do jogador, diria para não se comportar feito um “touro indomável” ferido; sair da seleção é jogar contra si próprio. Não cumprimentar o traíra demonstra que está abalado até as entranhas. A única maneira de não cumprimentar o ser execrável saindo por cima da carne-seca, é estender a mão dizendo “toca aqui”, seguido de um letal “deixa que eu toco sozinho” fingindo que toca um violão, enquanto o “Judas” fica com a mão no ar. É um verdadeiro golpe ninja-mortal.

Ninguém deve sucumbir ao chifre.

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24/02/2010
BOICOTANDO O SOL
Eu tenho opinião formada sobre a mudança no horário do campeonato carioca, os jogos seriam ou serão, às 8h ou depois das 17h. Sou a favor, mas também sou contra.

Se o negócio é futebol, eu gosto de jogar nos dois times dando pitaco sem embasamento teórico-prático para confundir ainda mais. É o grande diferencial entre o que escrevo e a análise límpida e lúcida dos especialistas. Não tenham dúvida, a minha falta de conhecimento e envolvimento com a questão – questan, para quem é do ramo - faz minha análise mais neutra, confiável, genial e acima de tudo, humilde.

A vida não é tão simples, uma decisão não precisa ficar apenas entre o sim e o não, em aceitar ou não aceitar. Entre o assim e o assado, existem o cozido e o mal-passado. Portanto, se a vida lhes deu os “ovos”, façam uma gemada, criem alternativas para solucionar o problema, ao invés de ficar na passividade entre acatar ou não acatar. Pra começar, é bom admitir, a alteração nos horários vai se espalhar por todos os outros campeonatos, a camada de ozônio já era. Acho que não adianta boicotar o sol, desconfio que ele não esteja muito preocupado.

Estão fazendo tempestade num copo d’água, um drama, eu juro, pensei em algo apocalíptico, mas era apenas isso, jogos às 8h e às 17h. E? Oi?

O país inteiro muda o horário duas vezes por ano e ninguém morreu por causa disso. Me irrita um pouco essa coisa agourenta, esse movimento de não buscar solução e apenas apontar obstáculos. Vou citar algumas desculpas usadas para “não fazer nada a respeito, contribuindo para nada dar certo”:

“Times da segunda divisão também jogam, são muitos jogos para encaixar somente nesses horários; muitos estádios não possuem iluminação; não temos mais tempo para colocar iluminação nos estádios; falta de verba; muito cedo pra acordar no sábado e domingo, já trabalhamos a semana inteira, etc”.

Não posso afirmar que sejam apenas essas as desculpas esfarrapadas, deve haver algo de muito importante por trás dessa recusa em aceitar um simples horário. Ou seria apenas comodismo ou preguiça ou má vontade?

Para quem tem preguiça de acordar cedo, existem soluções óbvias viáveis, muitas vezes, desagradáveis, mas eu também não estou aqui pra agradar ninguém:

Segunda divisão também joga? E daí? É só remanejar, quando o jogo for no mesmo dia. Vai me dizer que na cidade vizinha não tem um campinho com um poste de luz? Não tem iluminação? Não tem, coloca. Não dá tempo? E vão deixar pra começar quando? Não tem dinheiro? Arrume. Não conseguir arrumar dinheiro pra colocar meia dúzia de postes de luz é o cúmulo da incompetência. Não querem tomar sol? Façam um puxadinho no telhado do estádio. Não conseguem acordar cedo? Deixem o emprego e os estudos, vale a pena investir todo o seu tempo no time do coração. Como última opção, se mudar o horário do soninho está difícil, podem modificar a rotação e translação do planeta.

Mas o pretexto campeão para tudo, tudo mesmo, até mesmo pra quem “não deu conta do recado em casa”, é a falta de dinheiro, não me façam gastar caracteres explicando: falta de dinheiro não é o problema, e sim, a conseqüência do problema. Tem mais, a fé e o futebol movem montanhas - de dinheiro. E no fim, arrematem dizendo “é fácil falar, quero ver fazer”. Eu faço, me chama que eu vou, - dizia Sidney Magal, naquela bonita lambada – e não afino.

E sabem o porquê de tudo isso? Querem sombra, água fresca, acordar tarde e que alguém os abane. Ou estou enganada? É nessas horas que eu mudo de ideia como quem muda de roupa. Que deixem o horário como está e torrem com o sol. Reivindiquem um tubo de protetor solar, fator 900 para cada um e pronto. Chega de mimimi. Cortador de cana não muda o horário de trabalho, nem usa filtro solar, e não compra por que não quer, se colher 10 toneladas de cana-de-açúcar por dia, um caminhão, que é o mínimo exigido por pessoa, em “apenas” 3 dias pode adquirir o protetor fator 60, já que recebe aproximadamente R$2,35 por tonelada. São “apenas” 1.999 arrobas de cana-de-açúcar. E você bonito, acha que sabe o que é @, né?

*Assunto sugerido pelos tuiteiros @edimario e @newtonsanches, cada um levou uma camisa do blog. Me ferrei, tive o “azar”:os dois no mesmo tweet.

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